Scott Bedbury trabalhou na construção de marcas que cada uma delas, isoladamente,
valem uma vida.
Por exemplo, foi um dos caras do exército Nike, que sob o comando de Phil Knight, um
CEO arrojado e visionário, transformou uma marca de tênis num ícone cultural de uma
geração.
Aqui, no livro, Scott Bedbury conta sua experiência de fazer uma marca transcender sua
mera representação estética e passar a ser efetivamente parte de uma cultura, ou seja, de
fazer uma marca deixar de ser somente um modelo referencial de qualidade e passar a
significar um estilo de vida.
Que estilo de vida?
O estilo de vida que prega que se você tem um corpo, você é um atleta.
Ou no dialeto Nike: Just do it! (Um conceito criado em 1988 pela agência Wieden &
Kennedy, e que acompanha a marca como sua síntese máxima).
Scott Bedbury conta as etapas de construção da marca que, como nenhuma outra, voou tão
alto nas asas de sua originalidade e na relação com seus consumidores. Etapas que vão
desde os patrocínios a mitos sagrados do esporte como André Agassi, Carl Lewis, Tiger
Woods até o maior de todos, Michael Jordan, que teve da companhia mais do que
patrocínio, uma linha inteira de produtos, a linha Air Jordan, de evidente inovação e
desempenho superior. E que, ainda, passadas décadas da aposentadoria de Jordan, rende
milhões a cada anp para a marca (e para ele, é claro).
Outros mitos patrocinados? Bem, temos a Seleção Brasileira de Futebol, pentacampeã do
mundo, onipresente em todas as Copas, ainda um símbolo da excelência do futebol.
Foi “só” isto que fez da Nike a Nike?
Scott mostra que evidentemente que não, que construir uma marca é muito mais que
buscar as chancelas milionárias de atletas brilhantes:
Vai até o trabalho em ponto de venda com políticas de merchandising e exposição do
produto igualmente revolucionárias.
Vai até campanhas de publicidade altamente diferenciadas pela sua criatividade e
memoráveis em seu arrojo.
Vai até as megastores Niketown, templos da experiência com a marca Nike.
Vai até redefinições arquitetônicas da sede da empresa – que conta com várias salas de
ginástica e academias, e até mesmo com uma pista de Cooper.
Vai até campanhas digitais de engajamento a causas sociais.
Tudo isso (e muito mais) ampliou o conceito de uma empresa que fabrica tênis para uma
companhia que está em busca de ideais (esportivos?), como um estilo de vida.
Após, Scott Bedbury conta o case Starbucks, ou mais especificamente, como um hábito
simples e corriqueiro como tomar café ganha ares de visita temática ao adquirir um
conceito de experiência, desenvolvida de forma holística nos mínimos detalhes, indo desde
o padrão arquitetônico da rede e atingindo:
A estrutura de design promocional;
Os elementos de decoração;
Os sabores dos cafés, pesquisados e “tematizados” (um exemplo, o Verona Café,
com o toque romântico de Romeu e Julieta);
Os folhetos e brochuras promocionais;
Os produtos correlatos oferecidos;
As minilojas dentro das lojas, capazes de oferecer, além dos cafés, é óbvio, todo
um conjunto de materiais e apetrechos desenvolvidos para que a experiência não
termine naquele momento e se prolongue até a casa do cliente, através de
cafeteiras elétricas, canecas, embalagens especiais, biscoitos, moedores de grãos e
indo até CDs, com temas musicais relaxantes como o clima da loja.
Para o autor, administrar uma marca é isto, é esta experiência completa, este pensar em
tudo, em todos, é ampliar o conceito de envolvimento do cliente com a mesma, é absorvê-
lo, envolvê-lo e comprometê-lo numa “causa”.
A Causa Nike (Just do It).
A Causa Starbucks (O Máximo de Prazer em Torno do Café”.
Escrito de forma simplificada e em tom de depoimento pessoal, o livro é uma introdução
fascinante ao Universo de Gestão das Marcas.
Excelente livro porque ensina a criar mensagens de marca claras e envolventes, usando uma estrutura narrativa simples e eficaz. Ele foca no cliente como herói da história, ajudando empresas a se comunicarem de forma persuasiva e a se destacarem no mercado.