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Saturação de conteúdo x Economia de atenção: um probleminha a ser resolvido com consistência

A geração mais jovem, composta por aqueles em que a vida rola numa tela de celular, aqueles mais curiosos, conectados, mais loucos por novidades, os famosos always-on, essa turma avassaladora é obviamente impactada por uma multiplicidade absurda de conteúdo ao longo de um único dia.


E é impossível pra ler/ver/ouvir/assistir tanta coisa ao mesmo tempo agora. Analisando esse cenário, fica nítido e claro que aqueles conteúdos mais rápidos, mais assimiláveis, mais fáceis e ágeis num primeiro momento levam imensa vantagem.


Estamos falando de vídeos curtos. Histórias curtas. Mensagens curtas. Músicas curtas…


(Músicas curtas?)


Olhem esse exemplo que vem do mundo da música:


Se em 2017 uma canção durava, em média, 03 minutos e 08 segundos, o tempo não parou de cair. Em 2024, a média das músicas nas paradas do Spotify bateu os 03 minutos cravados. 


Ou seja: perdemos quase 10 segundos de música em poucos anos. E o motivo é puro negócio: o Spotify paga o royalty completo com apenas 30 segundos de play 


Pra que fazer mais se o algoritmo já deu o check?


E assim é  o novo padrão. A nova geração de ouvintes resiste a faixas mais extensas, mais elaboradas. Simplesmente parecem não apreciar as faixas que não possam ser assimiladas rapidamente. Não existe Bohemian Rhapsody que prenda esse pessoal. 


Eis um fenômeno que poderia ser chamado de economia da atenção.


O foco deixou de ser a sonoridade, ou então o estilo da música. A tentativa é de “entender” a música (ou o vídeo, ou o post) na sua essência, o mais rapidamente possível e já se programar para a próxima. Skip.


Mas não pense que é uma tendência que se aplica para tudo. Enquanto a música encolhe, o cinema de gente grande faz o caminho inverso. Os filmes “blockbusters” estão ficando mais longos, batendo uma média de 114 minutos. 


Sabe por quê? Porque quando a nova geração decide que vai “investir” o tempo e o dinheiro, eles querem substância. Querem algo que valha o esforço de sair do celular. Assistir a um filme se tornou uma atividade produtiva na visão desse público. 


Resumo da ópera?


Vivemos num mundo bipolar. No dia a dia, a gente tem 47 segundos de atenção antes de desviar o olho da tela. É o tempo de um TikTok (que hoje dura em média 42 segundos). Se não captou ali, já era. Próximo. 


A saturação é real, e a economia da atenção é o jogo. O desafio é ser curto o suficiente pra ser notado, mas consistente o suficiente pra não ser esquecido. 


O que você ouviu ou viu hoje de manhã? Provavelmente você já nem lembra mais. 


Nosso trabalho é fazer as pessoas lembrarem.